Esses dias, com seu típico entusiasmo, minha bela amiga disse, bastante convicta, que me levaria a um lugar, mas logo em seguida completou:
— Você vai querer ir? Pergunto por que não sei com qual personalidade você vai estar: a Dora aventureira ou a Dora recatada.
Não contive a risada. Dez anos de amizade foram suficientes para que ela decifrasse bem esse livro aqui.
Fiquei pensando no que havia de mais incrível ali: o fato de existir esse tipo de pessoa rara na vida, que te conhece bem e sabe das suas versões, ou perceber que, sim, você tem várias versões.
Primeiro, vamos falar sobre as pessoas, pois, à medida que o tempo passa, entendo que cada pessoa que cruza o nosso caminho encontra uma parte nossa.
Alguns vão conhecer o nosso lado sério; outros, o lado simpático e gentil; outros, quem sabe, o impaciente e o indiferente. Mas existem aqueles que conhecerão cada uma das suas versões. Mais do que isso: eles vão saber das suas histórias, das suas dores, dos seus amores, das suas conquistas, dos seus dilemas, dos seus medos, dos seus acertos e dos seus fracassos. A sua melhor e a sua pior versão.
E não importa o tempo que passe, as horas sem se falar ou os dias sem se ver, eles decidirão permanecer. Porque, assim como a rosa e o Pequeno Príncipe, tornaram-se únicos na vida um do outro.
Alguns têm a sorte de ter uma ou duas pessoas assim na vida…
Então, quando encontrá-las, celebre a dádiva de terem os caminhos cruzados.
Agora, falando sobre as nossas versões.
Confesso que, por muito tempo e em muitos momentos, quis apagar partes minhas. Ainda bem que não consegui.
— Ah, preciso ser mais contida.
— Não, não posso demonstrar fraqueza.
— Raiva? Odeio sentir isso.
Quanta bobagem… Frases como essas quase sempre escondem ou revelam uma dor.
Mas, um belo dia, você descobre que a sua alegria é a chama que te faz brilhar. Que é da tristeza que nasce a sua sensibilidade. E que você não precisa abraçar um lado e repudiar o outro.
Você pode ser séria, mas, ao mesmo tempo, divertida. Introspectiva e também extrovertida.
Aliás, como é maravilhoso ser empolgada e emocionada com a vida. Como é divertido dançar mesmo tendo dois pés esquerdos, sorrir sem se importar com o quão extravagante a sua risada pode ser. Parar em um lugar só para contemplar a paisagem e ouvir os pássaros cantarem.
E deixa eu te dizer uma coisa que talvez você não saiba: sentir raiva não faz de você um monstro. Ela também importa. É dela que pode vir um posicionamento que, finalmente, te fará mudar de lugar.
Então, resumindo tudo de trás para frente: seja você em todas as suas versões e esteja perto daqueles que respeitam a sua essência e te enxergam de verdade. Que sabem quem você é lá no fundo, mesmo quando ninguém está vendo.
Tenha pessoas que respeitem os dias em que você quer ficar mais quieta e reflexiva e aqueles em que você está disposta a viajar milhas de distância ou simplesmente conhecer lugares que viu no feed.
Pois é aí que mora a beleza da vida.
Ah, desse jeito a terapeuta aqui fica emocionada e cheia de orgulho! Nunca subestime o poder da sua escrita, querida. Ela carrega a sua voz, a sua história e a sua transformação.
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