(Ir)reverência

Cheguei tarde em casa. Não queria me atrasar para a programação das 20h. O cabelo não estava dos melhores. Então, eu tinha duas opções: ou arrumava o cabelo ou chegava no horário — mulheres entenderão.

Olhei para o boné e me perguntei: “Por que não?” Embora eu frequente a “igreja da parede preta”, a ideia soou um pouco conflitante para mim. “Boné? Meio irreverente, não acha?” Mas ok, vamos testar. Nada que um coque não resolva se o incômodo apertar.

Quer saber o resultado do teste? O incômodo não passava de vozes da minha cabeça, haha. Era tão simples: eu estava na casa do meu Pai, com roupas confortáveis, quase nenhuma maquiagem, tênis e boné. Que irreverência poderia existir ali?

Entendam: não se trata de criticar lugares onde não é permitido. Sei que existe um porquê e, se você escolheu estar ali, nada mais correto do que honrar as instruções; do contrário, seria rebelião. Também não estou levantando bandeira branca para a falta de zelo ou decência, pois são inegociáveis.

A questão é que, às vezes, cobramos de nós mesmos e até de outras pessoas o que nem o próprio Jesus cobrou.

Lembrei-me de uma conversa no salão… Certa vez, uma moça, totalmente constrangida pelo Espírito Santo, confessou que estava julgando o rapaz do banco da frente, segurando a Santa Ceia durante o culto de domingo, com dread no cabelo e inúmeras tatuagens no corpo.

“É sério que ele vai cear?”

Ela fechou os olhos, tentando não pecar. Mas, em determinado momento, ouviu aquela voz suave dizer: “Abra os olhos.” Ela abriu e imediatamente se deparou com aquele jovem de joelhos, totalmente quebrantado, chorando sobre a ceia — diferente de muitos ao seu redor, apáticos àquele momento.

No mesmo instante, pediu perdão a Deus por tê-lo julgado daquela maneira.

Sabe… é sobre isso que estou querendo falar.

Nunca será sobre a nossa aparência ou normas superficiais. Existem milhares de culturas; em cada lugar, um jeito diferente de se vestir, de se portar. Inúmeras igrejas, códigos de vestimenta que podem mudar…

Mas sabe o que não muda? O caráter IMUTÁVEL de Deus, que não vê como o homem vê.

Portanto, acredito que o maior ato de reverência que podemos oferecer a Ele, sem dúvidas, é a intenção do nosso coração.

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